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“Só há amor quando não existe nenhuma autoridade.”

Raul Seixas

“Por enquanto sou um sujeito que, em vez de estar dormindo com uma Miss Brasil até as 9 da manhã, acaba dormindo com uma prostituta que sai correndo às 6h43 e ainda leva quinzinho. Mas isso vai mudar.”

“Meu sobrinho Ed Motta ficou besta pra caramba. Se deixar, ele manda o Tim Maia pra casa do cacete”

“Este país não pode dar certo. Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme e traficante se vicia”

“Quando cheguei lá, vi que a Cultura Racional era umbanda, candomblé, baixo espiritismo (…) “Ele (Jacinto Coelho) passou 15 anos com seu Sete da Lira e tinha uma propriedade enorme em Nova Iguaçu, que incluía até um motel para extraterrenos”

“Quando soube que o Prince pediu 180 toalhas no camarim pra tocar no Rock in Rio, passei a pedir 18 toalhas por show. Ou seja, pedi 10% do Prince pra ver se fico mais valorizado.”

“O bom é quando você senta em cima da mão esquerda pra ela ficar dormente e você pensar que é outra pessoa que está te tocando.”

“Dizem que maconha vicia. Eu acho que é mentira. Tem um amigo meu que fuma há 25 anos e até hoje não é viciado”

“Já sou independente. Rompi com as gravadoras faz tempo. Financeiramente, estou me dando muito melhor que antes”

“Eu não agüento mais a imprensa, ela está mais preta do que marrom. Todo jornalista gostaria de ser artista, todo redator é aquele que não conseguiu ser escritor e todo mundo quer ser cantor”

“Fiquei três anos tentando fazer Jovem Guarda. Fui sabotado pelo Roberto e pela turma dele. Eles tinham medo da soul music.”

“Roberto Carlos não é geniozinho. Ele é inteligente, batalhador e canta mais ou menos.”

“Que beleza, Tim Maia pelo preço de uma grama” (referindo-se ao preço do ingresso para um show seu)

“Não saio com mulheres famosas pois não pago acima da tabela”

“Se não fosse obrigado, não andaria de jeito nenhum de avião. Antigamente eu tomava uns goles para enfrentar. Teve vôo em que, se deixassem, eu até pilotava o avião”

“Eu poderia ser ministro da Cultura e não esses que andam por aí. Sou um músico que conhece a realidade. Eu já comi churrasquinho de gato, tomando ácido com ki-suco”

“Eu sou o bispo Tim Maia e tenho meus adeptos: chamo os ‘doidões’ para o Circo Voador e faço o meu show”

“O FHC seria um ótimo ministro das Comunicações, da Educação. Mas não tem experiência física nem psicológica nem espiritual para ser presidente”

“Eu não fumo, não bebo e não cheiro. Meu único defeito é que eu minto um pouco”

“Todo brasileiro deveria ter acesso a lagostas grelhadas”

“Quando me sinto solitário, contrato prostitutas para passar a noite e nem toco nelas”

“Tudo é tudo e nada é nada”

“Passou de branco, preto é. Não existe este negócio de mulato. Mulato pra mim é cor de mula”

“Os meus cachorros são os meus melhores amigos”

“Evite acidentes, faça tudo de propósito.”

“Fiz uma dieta rigorosa, cortei álcool, gorduras e açúcar. Em duas semanas, perdi 14 dias.”

“O problema do gordo é que ele quando beija, não penetra. E quando penetra, não beija.”

“Eu tô aqui fazendo esse show pra Brahma, mas eu gosto mesmo é de um guaraná Antarctica.”

“Ganhar pra foder com o Tim Maia é fácil… quero ver é dar pro Sebastião.”

“A diferença entre eu e o Dicró é que no meu show todo mundo vai e eu não vou; no dele, ele vai, mas não vai ninguém.”

“Que beleza, um show de Tim Maia pelo preço de um grama de pó.”

“Uma fileirinha, dois tapinhas e duas doses… senta o pau, Vitória Régia!”

“Eu quero parabenizar o presidente Collor, que está fazendo a campanha ‘Diga Não às Drogas’. Eu acho que é isso mesmo, deixa pra quem gosta, porque já está escasso nas bocas!”

“É só começar a fazer songbook que o cara falece. Esse negócio de biografia também é um pé na cova.”


“E eu pensava que ouviria a palavra amor com mais frequência que a palavra trabalho.
Mas a palavra trabalho surgio em momentos que eu não esperava. No instante em que se curva uma mulher seminua, diz-se: Senhorita, ao trabalho.”

Jean-Luc Godard

Nelson Rodrigues

- O marido não deve ser o último a saber. O marido não deve saber nunca.

- A morte de um velho amigo é uma catástrofe na memória. Todas nossas relações com o passado ficam alteradas.

- O amigo é um momento de eternidade.

- O asmático é o único que não trai.

- Toda mulher bonita é um pouco a namorada lésbica de si mesma.

- O biquíni é uma nudez pior do que a nudez.

- O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro.

- Não admito censura nem de Jesus Cristo.

- Nada nos humilha mais do que a coragem alheia.

- Deus só freqüenta as igrejas vazias.

- Copacabana vive, por semana, sete domingos.

- Não ama seu marido? Pois ame alguém, e já. Não perca tempo, minha senhora!

- A fome é mansa e casta. Quem não come não ama, nem odeia.

- Todo ginecologista devia ser casto. O ginecologista devia andar de batina, sandálias e coroinha na cabeça. Como um são Francisco de Assis, com a luva de borracha e um passarinho em cada ombro.

- A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos.

- No passado, a notícia e o fato eram simultâneos. O atropelado acabava de estrebuchar na página do jornal.

- Não reparem que eu misture os tratamentos de “tu” e “você”. Não acredito em brasileiro sem erro de concordância.

- Nossa ficção é cega para o cio nacional. Por exemplo: não há, na obra do Guimarães Rosa, uma só curra.

- Os magros só deviam amar vestidos, e nunca no claro.

- Um filho, numa mulher, é uma transformação. Até uma cretina, quando tem um filho, melhora.

- O cardiologista não tem, como o analista, dez anos para curar o doente. Ou melhor: — dez anos para não curar. Não há no enfarte a paciência das neuroses.

- Não há ninguém mais vago, mais irrelevante, mais contínuo do que o ex-ministro.

- Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias.

- O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento.

- Enquanto um sábio negro não puder ser nosso embaixador em Paris, nós seremos o pré-Brasil.

- Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar.

- Se eu tivesse que dar um conselho, diria aos mais jovens: — não façam literatice. O brasileiro é fascinado pelo chocalho da palavra.

- Qualquer menino parece, hoje, um experimentado e perverso anão de 47 anos.

- Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral.

- Quero crer que certas épocas são doentes mentais. Por exemplo: — a nossa.

- Sexo é para operário.

- Morder é tara? Tara é não morder.

- Todo tímido é candidato a um crime sexual.

- Só há uma tosse admissível: — a nossa.

- Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.

- Falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista.

- O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: — o da imaturidade.

- Tudo passa, menos a adúltera. Nos botecos e nos velórios, na esquina e nas farmácias, há sempre alguém falando nas senhores que traem. O amor bem-sucedido não interessa a ninguém.

- Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de “ilustre”, de “insigne”, de “formidável”, qualquer borra-botas.

- A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.

- O brasileiro não está preparado para ser “o maior do mundo” em coisa nenhuma. Ser “o maior do mundo” em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.

- Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo. Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar.

- Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.

- O homem não nasceu para ser grande. Um mínimo de grandeza já o desumaniza. Por exemplo: — um ministro. Não é nada, dirão. Mas o fato de ser ministro já o empalha. É como se ele tivesse algodão por dentro, e não entranhas vivas.

- Assim como há uma rua Voluntários da Pátria, podia haver uma outra que se chamasse, inversamente, rua Traidores da Pátria.

- Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.

- O boteco é ressoante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.

- A mais tola das virtudes é a idade. Que significa ter quinze, dezessete, dezoito ou vinte anos? Há pulhas, há imbecis, há santos, há gênios de todas as idades.

- Outro dia ouvi um pai dizer, radiante: — “Eu vi pílulas anticoncepcionais na bolsa da minha filha de doze anos!”. Estava satisfeito, com o olho rútilo. Veja você que paspalhão!

- Em nosso século, o “grande homem” pode ser, ao mesmo tempo, uma boa besta.

- O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda.

- Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.

- Acho a velocidade um prazer de cretinos. Ainda conservo o deleite dos bondes que não chegam nunca.

- Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito.

Nelson Rodrigues

- O adulto não existe. O homem é o menino perene.

- Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.

- A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença numerosa de um amigo real.

- Amar é ser fiel a quem nos trai.

- Toda autocrítica tem a imodéstia de um necrológio redigido pelo próprio defunto.

- Só acredito na bondade que ri. Todo santo devia ser jucundo como um abade da Brahma.

- O brasileiro é um feriado.

- Os jardins de Burle Marx não têm flores. Têm gramados e não flores. Mas para que grama, se não somos cabras?

- A burrice é a pior forma de loucura.

- No Brasil quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte. O Otto Lara está certo. O mineiro só é solidário no câncer.

- O carioca é o único sujeito capaz de berrar confidências secretíssimas de uma calçada para outra calçada.

- Num casal, pior que o ódio, é a falta de amor.

- O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira.

- Geralmente, o puxa-saco dá um marido e tanto.

- O carioca é um extrovertido ululante.

- As bodas de prata são, via de regra, uma festa cínica que finge comemorar um amor enterrado.

- O pior cego é o surdo. Tirem o som de uma paisagem e não haverá mais paisagem.

- Os que choram pouco, ou não choram nunca, acabarão apodrecendo em vida.

- Gosto do cigarro que me queime a garganta. O fumo suave não passa de um ópio de gafieira.

- Toda coerência é, no mínimo, suspeita.

- Desconfie da esposa amável, da esposa cordial, gentil. A virtude é triste, azeda e neurastênica.

- Sexta-feira é o dia em que a virtude prevarica.

- Numa simples ginga de Didi, há toda uma nostalgia de gafieiras eternas.

- Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação.

- Djalma Santos põe, no seu arremesso lateral, toda a paixão de um Cristo negro.

- A educação sexual só devia ser dada por um veterinário.

- Eu, como artista, se tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: — “Aqui jaz Nelson Rodrigues, assassinado pelos imbecis de ambos os sexos”.

- Qualquer um de nós já amou errado, já odiou errado.

- Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer.

- Toda família tem um momento em que começa a apodrecer. Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo. Lá um dia aparece um tio pederasta, uma irmã lésbica, um pai ladrão, um cunhado louco. Tudo ao mesmo tempo.

- A família é o inferno de todos nós.

- A fidelidade devia ser facultativa.

- O gordo só é cruel na mesa, diante do prato, com o guardanapo a pender-lhe do pescoço.

- D. Helder só olha o céu para saber se leva ou não o guarda-chuva.

- Na mulher, certas idades constituem, digamos assim, um afrodisíaco eficacíssimo. Por exemplo:— quatorze anos!

- O jovem só pode ser levado a sério quando fica velho.

- Hoje, a primeira noite é a centésima, a qüinquagésima. O casamento já é uma rotina antes de começar.

- O ser humano está mais para Lucho Gatica do que para Paul Valéry.

- O que se está fazendo aqui é uma música popular brasileira que não é popular, nem brasileira e vou além: — nem música.

- Aqui o branco não gosta do preto; e o preto também não gosta do preto.

- Amigos, eis uma verdade eterna: — o passado sempre tem razão.

- Não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe.

- O pobre, para sobreviver, precisa da pornografia.

- O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato.

- O ônibus apinhado é o túmulo do pudor.

- É impossível ser ridículo dentro de uma Mercedes.

- Num casamento, o importante não é a esposa, é a sogra. Uma esposa limita-se a repetir as qualidades e os defeitos da própria mãe.

- A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.

- No Maracanã, vaia-se até minuto de silêncio e, se quiserem acreditar, vaia-se até mulher nua.

- Uma dor de viúva dura 48 horas.

- Todo óbvio é ululante.

- Toda mulher gosta de apanhar. O homem é que não gosta de bater.

William Shakespeare

— Devemos aceitar o que é impossível deixar de acontecer.

— Até mesmo a bondade, se em demasia, morre do próprio excesso.

— O cansaço ronca em cima de uma pedra, enquanto a indolência acha duro o melhor travesseiro.

— Vazias as veias, nosso sangue se arrefece, indispostos ficamos desde cedo, incapazes de dar e de perdoar. Mas quando enchemos os canais e as calhas de nosso sangue com comida e vinho, fica a alma muito mais maleável do que durante esses jejuns de padre.

— Ninguém poderá jamais aperfeiçoar-se, se não tiver o mundo como mestre. A experiência se adquire na prática.

— Se o ano todo fosse de feriados, o lazer, como o trabalho, entediaria.

— Ventre grande é sinal de espírito oco; quando a gordura é muita, o senso é pouco.

— Que é o homem, se sua máxima ocupação e o bem maior não passam de comer e dormir?

— Do jeito que o mundo anda, ser honesto é (igual) a ser escolhido entre dez mil.

— Hóspede oferecido (…) só é bem-vindo quando se despede.

— Um homem inteligente pode transformar-se num joão-bobo, quando não sabe valer-se de seus recursos naturais.

— Quem não sabe mandar deve aprender a ser mandado.

— A mulher que não sabe pôr a culpa no marido por suas próprias faltas, não deve amamentar o filho, na certeza de criar um palerma.

— As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos.

— Ninguém pode calcular a potência venenosa de uma palavra má num peito amante.

— Sábio é o pai que conhece seu próprio filho.

— Tem ventura fugaz, sempre periga, quem se fia em rapaz ou rapariga.

— Ser ou não ser… eis a questão.

— É estranho que, sem ser forçado, saia alguém em busca de trabalho.

—As mais belas jóias, sem defeito, com o uso o encanto perdem.

— O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria.

— Nunca poderá ser ofensivo aquilo que a simplicidade e o zelo ditam.

Vivemos num mundo onde precisamos nos esconder para fazer amor, enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.

John Lennon

“Às vezes eu tenho impressão de que meu anjo da guarda está gozando licença-prêmio.”

Stanislaw Ponte Preta.


Sua significância é do tamanho da minha paciência.

Del Candeias

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