Lomadee, uma nova espcie na web. A maior plataforma de afiliados da Amrica Latina.

Cinema Nacional

Era Uma Vez…

Era uma vez...

Sinopse: “Era uma vez…” conta a história de um amor verdadeiro entre uma menina rica do asfalto e um rapaz do morro. Vizinhos em realidades diferentes, Dé e Nina se conhecem em campo neutro, a Praia de Ipanema, e acabam se apaixonando profundamente. Para ele, é o primeiro amor e à primeira vista. Para ela, a descoberta de uma pureza e uma sensibilidade raras. Juntos, os dois experimentam as alegrias, emoções e dificuldades de viver um amor tão grande quanto improvável para uma sociedade que alimenta preconceitos velados.

Site Oficial – Era Uma Vez…


Quincas Berro dÁgua

Quincas Berro dÁgua

Sinopse: Rei dos botecos, bordéis e gafieiras da Bahia, o ex-funcionário público Quincas Berro d’Água é encontrado morto em sua cama. Inconformados com sua morte, seus melhores amigos “roubam” o corpo e o levam para uma última noite regada a festa e muita bebida. Em meio a mil confusões, Quincas “vive” a sua segunda e definitiva morte, desta vez como sempre sonhou. Baseado na obra de Jorge Amado.

Site Oficial – Quincas Berro dÁgua

Desatino Cruel

Roberto Prado

esse mal jeito de gênio
minha santa paciência
e esse excesso de oxigênio
me fazem o diabo em pessoa
exato qual morto de susto
acha justo crerem isso desatino?
apesar que não fico triste
mera letra a mais no destino

Adeus

Alice Ruiz

o vento passou
restou apenas
o aceno das árvores

Diário de Bardo

Antonio Thadeu Wojciechowski

o verso, livre, se lança
ao mar desconhecido
até onde a vista alcança
ao encontro do perigo
navegante de mim
ruma a outro destino
um dia há de assim
tornar-me clandestino

Bonequinha de Pouco Luxo

Fabrício Carpinejar

Entrei no banheiro do aeroporto quase de olhos fechados, tateando as paredes após experimentar contenção de camelo.

Escolhi o vaso da ponta esquerda, para não embaraçar os vizinhos. Na real não escolhi nada. Com o ambiente lotado, peguei o primeiro vago.

Na hora em que abri a braguilha, gelei. Não é que não encontrei meu pau. Não é que tive nojo da poça em meus pés, coisa natural em WC masculino.

Enxerguei uma boneca no mictório. Uma Barbie me mirava com sua atitude sorridente de gueixa. Agachada, como que depilando as pernas no chuveiro.

O que fazia ali? Arrisquei puxá-la pela gola, mas faltou coragem. A garota já estava ensopada.

Busquei reprimir o jato, observei ao redor para localizar algum canto alternativo: apenas a pia. Fracassei no exercício de ioga. Respirei cachorrinho, respirei gato, respirei tamanduá, mas o controle escapou e urinei longamente. Tentei em vão não acertar sua cabeleira, não estragar sua pintura, reduzir a artilharia em sua pele branca.

Por um triz não chorei, lembrei dos caprichos de minha filha conduzindo seu carrinho de bebê no pátio. Senti que traí a minha paternidade.

Quem colocou uma boneca no mictório? Quem dobrou a pequena no porta-malas imundo? Quem sequestrou a beldade e a lançou no ralo artístico de Duchamp? Quem apresentaria tal grau de perversão? Especulei ser obra de um misógino recente e amador, um corno vingativo, homem amargurado, arrebentado pela infidelidade de sua mulher. Pegou um dos símbolos femininos para mijar em cima. Rompeu o fair play entre os sexos. Agiu como um psicopata de loja de brinquedos.

A Barbie atendeu aos rituais de um vodu. Não encontrava outra explicação. Um sujeito optou pela magia negra, a exorcizar os enganos e desventuras do casamento. No lugar da farofa e da cachaça, da galinha morta na esquina, da macumba prendada, invadiu um dos santuários masculinos e atirou a virgem no vulcão.

Ele sabia que não existia modo de resgatá-la, a peça sobraria vulnerável diante do pelotão apressado de fuzilamento. Empreendeu um plano diabólico, intencionado a humilhá-la em público e escandalizar os frequentadores dos voos. Ainda era a Barbie com roupa de gala. Seria menos ofensivo se fosse a esportista, acostumada a rapel e esportes radicais.

Aquilo me transtornou, gerou azia e impotência. Talvez escutando Fagner redescobriria que existe algo pior na vida e retomaria a honra.

Eu me culpava por esguichar na Barbie. Uma atrocidade indesculpável para seguir em frente na convivência doméstica. Um trauma sem perdão. Já queria me confessar, alugar um padre, contribuir com entidade beneficente.

Julgava o caso perdido, a mesma dimensão de um acidente aéreo.

Corri, suado, para a sala de embarque. Trocando as pernas, atabalhoado. Sentei próximo da porta, ansioso pelo chamado da companhia, para distrair o ressentimento nas nuvens. Foi quando acompanhei uma senhora recriminando o filho, uma menina miando desesperada de canto, um pai encabulado com a família histérica.

A mãe sacudia o menino:

— Onde você pôs a boneca de sua irmã? Onde?

Trabalho, Trabalho Novo, Trabalho

Xico Sá

O jornalista é o único animal do planeta que quanto mais avança a tecnologia mais o desgraçado trabalha. Isso é o que mais perturba e intriga. Agora mesmo, sábado, 17h40, e eu em cima dessa máquina.
Todos evoluíram com os tempos modernos e novos sistemas. Até o burro do campo, se livrou do arado pré-histórico.
Nós, muito pelo contrário, aumentamos a nossa carga: fazemos o jornal, atualizamos o blog, perguntamos e ao mesmo tempo filmamos o entrevistado… Cobramos escanteio, corremos para cabecear e no percurso entre a bandeirinha do córner até a pequena área ainda mandamos uma informação no Twitter aos seguidores das obsessivas páginas virtuais.
Lembro bem o dia que apareceu o primeiro computador nas redações. Além do susto de alguns tiozinhos, o entusiasmo dos mais jovens: agora vamos diminuir as jornadas. Qual o quê. Com a internet, pior ainda, viramos processadores multiuso, centrífugas, chupa-cabras de textos e notícias.
O pior: o furo, essa mercadoria de luxo dos jornais, agora gira na velocidade do minuto a minuto. Parem as máquinas, quero meu furo -com 24 horas de vida, pelo menos- de volta.

Chico Buarque & Caetano Veloso – Tatuagem / Esse Cara

Tatuagem

Chico Buarque / Ruy Guerra

Quero ficar no teu corpo
Feito tatuagem
Que é prá te dar coragem
Prá seguir viagem
Quando a noite vem…

E também prá me perpetuar
Em tua escrava
Que você pega, esfrega
Nega, mas não lava…

Quero brincar no teu corpo
Feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem…

E nos músculos exaustos
Do teu braço
Repousar frouxa, murcha
Farta, morta de cansaço…

Quero pesar feito cruz
Nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem…

Quero ser a cicatriz
Risonha e corrosiva
Marcada a frio
Ferro e fogo
Em carne viva…

Corações de mãe, arpões
Sereias e serpentes
Que te rabiscam
O corpo todo
Mas não sentes…

Esse Cara

Caetano Veloso

Ah, esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido
Ah, esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Com os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
Eu estou para o que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada
Ele some
Ele é quem quer
Ele é um homem e eu sou apenas uma mulher

Cuide

Economizar água vale uma cachoeira

Economizar água vale uma cachoeira

O desperdício de alimentos dá fome

O desperdício de alimentos dá fome

Falta planeta para tanto consumo

Falta planeta para tanto consumo

Mensageiro do Apocalipse

Fabrício Carpinejar

Abro a janela para sentir onde estou; somente a lufada no rosto resolve. O vento é o único meteorologista em que confio.

Hotel provoca miragem: não acertamos se está frio ou quente lá fora.

O controle do ar repousa ao lado dos canais de televisão. No gabinete. É o efeito estufa em minha vida – viajando, permaneço sempre na mesma temperatura. Gostaria de arder de calor de madrugada ou me encolher de frio, somente para me enxergar em casa. Vida cômoda demais incomoda. A melhor gula é vencer a dormência e mexer na geladeira de noite. O melhor sono, portanto, depende de um esforço físico, em abandonar a zona de conforto, é aquele que caminhamos no escuro por um cobertor ou duelamos com o lençol, empurrando o tecido como um morto no despenhadeiro.

Só que em alguns hotéis a janela está fechada, como o do bairro Anhembi, em São Paulo. O quarto lacrado não me deixava trabalhar em paz. Liguei para a governança:

- Pode abrir as janelas, estou aflito?
- Sim, estou mandando um mensageiro.

Demorou uma hora, e nenhum sinal em minha porta. Insisti, com receio de uma conspiração.

- Eu pedi para abrir as janelas…
- Sim, desculpa, estou mandando um mensageiro.

O jovem chegou. Tinha uma barbicha para forçar a idade. Na minha adolescência, todo rapaz era um bode. Alguns continuam sendo.

Ele veio com um cardápio para assinar.
- Não pedi nada para comer ou beber.
- O senhor não solicitou a abertura das janelas?
- Sim.
- Deve assinar aqui.
- Por quê?
- Para abrir a janela.
- Como?
- O senhor precisa se responsabilizar por abrir a janela.
- Mas eu não me responsabilizei por abrir a porta, por abrir a geladeira, por abrir as gavetas. Que isso?
- É norma do hotel. Abriremos as janelas com seu termo de anuência.

Rabisquei na linha em branco para encerrar o assunto. Nunca tinha pensado em suicídio até aquele momento. Foi tanta solenidade que fiquei com vontade de me matar. O mensageiro criou a fantasia mórbida com o ofício. Deu a ideia. Fomentou a imaginação. Agora sim estava aflito com as cortinas farfalhando. As alturas me chamavam pelo apelido, com inegável intimidade.

Aguentei o pânico, suspeitei que, se me atirasse no pavilhão da Bienal do Livro colado ao hotel, o mundo inteiro diria que era mais um dos meus golpes de marketing.

Desci ao saguão disposto a respirar o térreo. Fugi imediatamente dali. Encontrei André, amigo de editora, lendo jornal. Puxei papo para me distrair. Evidente que descrevi os últimos acontecimentos.

Mas ele ficou pálido, mais nervoso do que eu, envergonhado. Resmungou:

- Quando entrei no meu apartamento, as janelas estavam abertas. Nem pediram minha autorização. Vou reclamar ao gerente, não é um convite ao suicídio, já é um assassinato.

Hevelyn Costa – Foi Assim

Renato Correa e Ronaldo Correa

Foi assim
Que eu vi você
Passar por mim
E quando pra você eu olhei
Logo me apaixonei

Foi assim
O que eu senti
Não sei dizer
Só sei que pude então compreender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver

Mas foi tudo um sonho
Foi tudo ilusão
Porque não é meu
O seu coração
Alguém roubou de mim
O seu amor
Me deixando nessa solidão

Foi assim
E agora o que é que eu vou fazer
Pra que você consiga entender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver

Foi assim
O que eu senti
Não sei dizer
Só sei que pude então compreender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver

Mas foi tudo um sonho
Foi tudo ilusão
Porque não é meu
O seu coração
Alguém roubou de mim
O seu amor
Me deixando nessa solidão

Foi assim
E agora o que é que eu vou fazer
Pra que você consiga entender
Que sem você meu bem
Não posso mais viver

Página 2 de 6612345678910...Última »