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Entrevista – Fabrício Carpinejar

O Último Poema

Manuel Bandeira

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

A Última Noite De Natal

Graciliano Ramos

Os grandes olhos claros e aguados boiavam na sombra nevoenta, cheios de espanto. Esfregou-os, arrastou-se pesado e entanguido, mal seguro à bengala,sentou-se num banco do jardim, fatigado, suspirando, examinou a custo os arredores. Gastou uns minutos passeando as mãos desajeitadas na gola do casaco. 0 exercício penoso enfureceu-o. Resmungou palavras enérgicas e incompreensíveis, esforçou-se por dominar a tremura. Com certeza era por causa do frio que os dedos caprichosos divagavam no pano esgarçado e os queixos banguelos se moviam continuamente. Era por causa do frio, sem dúvida. Se conseguisse abotoar o casaco e levantar a gola, os movimentos incômodos cessariam.

Em que estava pensando ao chegar ali? Ia jurar que pensava em coisas agradáveis. Ou seriam desagradáveis? Pedaços de recordações incoerentes dançavam-lhe no espírito, acendiam-se, apagavam-se, como vaga-lumes, confundiam-se com os letreiros verdes, vermelhos, que se acendiam e apagavam também quase invisíveis na poeira nebulosa. Tentou reunir as letras, fixar a atenção nas mais próximas, brilhantes, enormes.

A igreja toda aberta resplandecia. O incenso formava uma neblina perturbadora. E, através dela, os altares refugiam como sóis, a luz das velas numerosas chispava nas auréolas dos santos.

Que doidice ! Não é que estava imaginando ver ali, nas transitórias claridades, a igreja vista sessenta anos antes? Tresvariava. Sacudiu a cabeça, afastou a lembrança importuna. De que servia desenterrar casos antigos, alegrias e sofrimentos incompletos?

O que devia fazer… Pôs-se a mexer os beiços, procurando nas trevas úmidas e leitosas que o envolviam o resto da frase. O que devia fazer… Repetiu isto muitas vezes, numa cantilena, distraiu-se olhando a chuva amarela, verde, vermelha, dos repuxos. Impossível distinguir as cores. Ultimamente a cidade ia escurecendo. As pessoas que transitavam junto aos canteiros sem flores eram vultos indecisos; .os prédios se diluíam nas ramagens das árvores, manchas negras; os letreiros vacilantes não tinham sentido.

O que devia fazer… De repente a idéia rebelde surgiu. Bem. Devia meter os botões nas casas e agasalhar o pescoço. Depois cruzaria os braços, aqueceria as mãos debaixo dos sovacos, ficaria imóvel e tranqüilo. Mas os dedos finos e engelhados avançavam, recuavam, não havia meio de governá-los. Se pudesse riscar um fósforo, chegá-lo a um cigarro, esqueceria os inconvenientes que o aperreavam: o frio, a dureza das juntas, o tremor, a zoeira constante, sussurro de maribondos assanhados. Dores errantes andavam-lhe no corpo, entravam nos ossos e vinham à pele, arrepiavam os cabelos, fixavam-se nas pernas, esmoreciam.

Agora não estava no banco do jardim, perto das estátuas, das árvores, do coreto, dos esguichos coloridos. Estava longe, a sessenta anos de distância, ajoelhado na grama, diante da igreja da vila. Os rostos embotados, que se dissociavam, juntaram-se no largo onde um padre velho dizia a missa da meia-noite. Fervilhavam matutos em redor das barracas, num barulho de feira, e uma sineta badalava impondo em vão respeito e silêncio. Os cavalinhos rodavam. Esgueiravam-se casais pelos cantos. O padre velho dirigia olhares fulminantes àquela cambada de hereges. Uma figura pequenina cantava os hinos ingênuos, de versos curtos, fáceis. Tudo parecera de chofre muito sério, eterno. Os hinos capengas elevavam-se, estiravam-se. A mulher tinha um rosto de santa e exigia adoração. Sessenta anos. As fachadas enfeitavam-se com lanternas de papel, janelas escancaradas exibiam presépios, listas de foguetes cortavam o céu negro. A sineta badalava, zangada. E o burburinho da multidão não diminuía.

Sessenta anos. Da cinza que ocultava os olhos frios saltou uma faísca; os alfinetes pregados na carne trêmula embotaram-se; o espinhaço curvo endireitou-se; um débil sorriso franziu os beiços murchos; os braços ergueram-se lentos, buscando a imagem de sonho.

Imagem de sonho, que doidice! Era apenas uma bonita criatura de bom coração. Ligara-se a ela. E dezenas de vezes tinham-se os dois ajoelhado ali na grama, olhando as lanternas, os presépios, os foguetes, o padre que dizia a missa da meia-noite. Algumas esperanças, muitos desgostos. Os meninos cresciam, engordavam. E no jardim da casa miúda um jasmineiro recendia.

Depois tudo fora decaindo, minguando, morrendo. Achara-se novamente só. Os filhos e os netos se haviam espalhado pelo mundo. Agora… Que extensa caminhada, que enormes ladeiras, pai do céu ! Já nem se lembrava dos lugares percorridos.

Conseguiu abotoar o casaco e levantar a gola.

Andar tanto e afinal chegar ali, arriar num banco, não perceber as letras que se acendiam . e apagavam.

Certamente àquela hora, diante duma igreja aberta, outro homem novo admirava outra pessoinha ajoelhada, sentia desejos imensos, formava planos absurdos. Os desejos e os planos iam desfazer-se como a. fumaça luminosa dos repuxos.

À Minha Noiva

Arthur Azevedo

“Tu és flor; as tuas pétalas
orvalho lúbrico molha;
eu sou flor que se desfolha
no verde chão do jardim.”
Têm por moda agora os líricos
versos fazer neste estilo…
— Tu és isso, eu sou aquilo,
tu és assado, eu assim…
Às negaças deste gênero,
Carlotinha, não resisto:
vou dizer que tu és isto,
que aquilo sou vou dizer;
tu és um pé de camélia,
eu sou triste pé de alface,
tu és a aurora que nasce,
eu sou fogueira a morrer.
Tu és a vaga pacífica,
eu sou a onda encrespada,
tu és tudo, eu não sou nada,
nem por descuido doutor;
tu és de Deus uma lágrima,
eu sou de suor um pingo,
eu sou no amor o gardingo,
tu Hermengarda no amor.
Os fatos restabeleçam-se,
ó dona dos pés pequenos:
eu sou homem — nada menos,
tu és mulher — nada mais;
eu sou funcionário público,
tu minha esposa bem cedo,
eu sou Artur Azevedo,
tu és Carlota Morais.

Oswaldo Montenegro – Por Descuido ou Displicência

E quando a saudade dela for te afligir,
Aparece
Quando quiser o seu corpo, mas o meu servir,
Aparece
Quando me chamar de bia eu finjo não ouvir,
Aparece
Por descuido ou displicência
Para amar em mim aquela que eu não posso ser

É que pra Bia, a sonhadora
o mundo era azul
por beleza
Tudo que acontece se acontece era pra ser
Com certeza
E que pra Bia, a sonhadora o mundo era um balao
que voava
No universo caipira
das festas de Sao João
Que Deus da todo mês

AMAVISSE

Hilda Hilst

O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.
Tentou na palavra o extremo-tudo
E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância
Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.
A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito
Tempo-Nada na página.
Depois, transgressor metalescente de percursos
Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.
Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.
A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.
O Caderno Rosa é apenas resíduo de um “Potlatch”.
E hoje, repetindo Bataille:
“Sinto-me livre para fracassar”.

Entrevista – Sérgio Sampaio

Reality Show

Mário Bortolotto

A noite clara. Lobiswoman descendo a rua. O leão de Neméia rugindo no Discovery Chanell. Alface ao limão do Marcião. Navalha na pele. Balas Apache. O Batmóvel. Basilicão para espinhas. Jim Bean de Natal. Bebo sózinho na madrugada de passagem. Jatos de porra no poster da playmate. Meu irmão deixando a perua atolar. Prece para um condenado. Quero que toda a Gurulandia se fôda. O melhor suco de melancia que tomei foi no Flamengo. Caligula enrabava efebos enquanto centuriões lambiam seu cu. A putaiada romana chupava cacetes palacianos. Marina Lima assobia um tango na noite de Ipanema. Aqui se come caqui. Afrodite não queria Helena por perto. Professor Rivato sabia 2.000 assuntos. Minha filha respira forte e me emociona. Meu pai se exibindo pras putas no Tibagi. Nunca usei calças boca de sino. Tenho esse problema com autoridade. O planetário. Pepe Lanzetta. Domingo de Ramos. Zé Buscapé. A máquina de costura ainda existe. Principe Submarino. Os vizinhos assistindo a Copa 70. O leão na jaula. A gente fugia pra ver. Depois brincava de bola queimada. Sandra que eu desejei no Recreio. Merenda de sagu era a mais gostosa. Aluga-se Moças. Rita Cadilac sendo enrabada no banco rebaixado. Festa de São João. Devastação de formigueiro. Eu plagiando o Barão de Munchausen e recebendo os maiores elogios. Um garoto morrendo sozinho, congelado, em algum lugar do Alasca. O Colosso de Rodes. A Miss dançando quadrilha. Salada Mista. Jakob Dylan chegando lá. Feios, sujos e malvados. Pepe Legal usa chapéu porque é carequinha da silva. Meus discos e nada mais. Bob Esponja é um puta nome legal, pra um bêbado. Posso ficar mais perto de você. Quer deixar pra amanhã? Tônica Diet. Já fui padre em casamento caipira. Caí de janelas e andei de ambulancia. Voltar pra casa, na chuva. O carro indo pra Ourinhos. Foi quando aprendi o que era distancia. Sexta-feira é dia de comer pastel na feira. Três Mosqueteiros. Ilha do Perigo. Tra-la-la. Andar no trem fantasma com uma bicha louca. Pedágio pra garantir os cincão. Fabinho e seu incenso do cão. Não enxergava porra nenhuma no quadro negro. Slides de bucetas rebentadas de sifilis. Feira de ciências. Panquecas no café da manhã. Bolo de fubá. Prenderam meu amigo Japa nas Lojas Americanas. O cara carregando um peixe nas costas. Leite de Magnésio. Pluto derrubou a escultura. Concurso de quem beija mais. Garota da Lotérica. O Druída Panoramix é o único que eu boto fé. Vinho Sangue de Boi debaixo da pia. Sorvete mini saia. Refresco Saci. Os gatos faziam a festa quando meu pai chegava do Tibagi. Os lagartos das Sete Quedas. Casinha Branca. Será que vamos lembrar de velhas trepadas? Dentro do vidro de Toddy tinha um indiozinho. Quando foi que comi o primeiro hot dog? Podem ficar com a agropecuária. O gato na barriga do meu pai. Tinha uma fonte. Tinha peixes na fonte. Tinha macacos no bosque. Dormir abraçadinho. Tem menina que chama de colherzinha. O incêndio do Joelma eu vi na tv. Troço feio de se ver. O padre que matava morcegos. Missa da Juventude. Procissão. O cara com nome de papagaio comprou um livro do Bakunin. Ilha da Fantasia. A gente ouvindo Rain Dogs. Os ratos passeando lépidos. Você vomitando grosso um brinco de pizza e cerveja barata. Missa do Galo. Peg-Pag. Não pode beijar no banco do supermercado. Don Juan do Grupo Sérgio. Tio Miguel faz Aerowillis. Mãe Lica prepara ovo frito. Gravidade Zero. Propostas de casamento. Não tomei conhecimento de minha mãe no caixão. Sultão era um pastor alemão. Corredor da morte. Bruce Lee era Kato. Meu primeiro coturno foi um acontecimento. Carnaval em Curitiba. Nadia Lippi na Folhinha. Ki-chute e Iris Tock. Merda de pagode. Rose Di Primo. Cheirinho de pão feito em casa. Tinha que chegar antes das seis. Contendas na saída da aula. Cicatriz de arame farpado. Gota d’Agua. Bermuda Jeans. Papagaio que imita travesti. Minha mãe tirou dinheiro da poupança pra me comprar uma máquina de escrever. Meus pés inchados. Meu fígado detonado. Providencias proteladas. Torcida do Londrina. Vergonha de nudez. Noite em claro. Al Pacino tá puto da vida. SuperMan-o filme. Born to be alive. O negrinho do Pastoreio fazendo a alegria do formigueiro. Historinha filha da puta. Banho de agua fria. Dalila era bem gostosona. Sansão não quis saber e se fodeu. Carnaval é uma merda, mas tem a Valéria Valensa. Praia de Matinhos. Pecado Capital. Fio Maravilha é obra prima. Quando eu quis ficar elegante, lavei a cabeça com Colorama. Em Rio Preto a garota me roubou o chopp, depois sentou no meu colo dentro do onibus. Gincana do Apocalipse. Marvin Gaye. Tentei ler O Capital. Meu primeiro baseado em Maringá. Felicidade pra mim é uma música com o Silvio Brito. O melhor sonho fica na Major Diogo. Garfield sorri num dia de fúria. Eu vi Neil pisar na Lua e o outro Armstrong cantou Wonderful World. Eu tenho um dicionário Janio Quadros. Coloquei dois escorpiões pra ver qual é. Minha mãe me deu régua e compasso e eu não tinha a menor idéia do que fazer com eles. Farinha Deusa. Histórias em quadrinhos em preto & branco. Jimi Hendrix cantando pros amigos no boteco. Os tubarões não são os assassinos que queremos crer. Rubem Fonseca. Calvin & Haroldo. Meia Oito e Nanico. Wood & Stock. Abbot & Costello. Futebol de Salão. Saudosos sabados londrinenses. Não quero saber do que me contam sobre os outros. Tenho prestado mais atenção em minha vida. Não tem sido exatamente divertido. Mas tenho estado inexplicavelmente surpreso.

A Pior Invenção da Humanidade

Fabrício Carpinejar

Eu tenho pouca compaixão, vejo que é uma emoção ruim, mesquinha, em que a gente sempre se sente melhor do que o outro. Não que me falte mesquinharias, mas não é o caso. Eu sou superior a raríssimas coisas. Uma delas é capinha de guarda-chuva.

Enxerguei a capa no estacionamento da universidade. Assemelhava-se a um estojo, o que mobilizou o arpão dos dedos.

Para agachar na minha idade, a curiosidade deve pagar o sacrifício. Não sobreviveria aos tempos da monarquia, onde toda vez em que o rei passava havia a obrigação de beijar o chão. Eu seria guilhotinado devido às câimbras.

Voltando a capa. O objeto atiçou a gula. Poderia conter lápis, canetas coloridas, apontador, borracha, uma escola inteira no pano. Já dividiria com os meus filhos e levaria uma lembrança para rechear as gavetas do escritório. Mas fui levantar, notei o que se tratava e repeli de volta, sinceramente frustrado. Disse que nojo, acentuando a agressividade da decepção, como se encontrasse um preservativo usado. Fui enganado, uma capinha! Ninguém no mundo irá levantar aquela capinha, a não ser que confunda como eu.

Não duvido que esteja repousando entre as vagas dos carros há um mês. Sequer um arqueólogo, daqui a dois mil anos, achará valor neste pertence. Largará os pincéis, concluindo que não recompensa o trabalho de escovação.

Depois da cerveja sem álcool, a pior invenção da humanidade é a capinha do guarda-chuva. Aposto que o energúmeno autor da façanha nem patenteou sua criação. É a mais ridícula. Uma embalagem canhestra. De natureza descartável para cobrir algo que já é descartável. Por que proteger justo aquilo que mais se perde na vida? Será que é para fingir que não esqueceremos o guarda-chuva no ônibus quando para de chover? Ficaremos mais nobres? Ou será que confiamos que a classe média e baixa está separada pelo adereço? Será um brasão de camelô?

Não é prática tampouco. Assim que se usa a primeira vez, some sua serventia. Não há como enfiar o volume do pano e as varetas de volta para a escuridão do útero. É mais uma esperança do que uma realização. Não conheço um vivente que tenha conseguido. A cabeleira estará espetada, o cabo torto, pior do que enrolar headphone num bolo coeso e diminuto como o que saiu da loja. Não experimente, será um esforço em vão. Tão complicado quanto restaurar o hímen, o cabaço.

Mas a capinha é manhosa, não resistiria se não contasse com poderes especiais. Não representa um produto de fácil eliminação. Desperta a compaixão: não gostamos dela, porém não gostamos de nos desfazer dela. Traz um egoísmo, uma culpa educada. É como chiclete, acabou o sabor, não pretendemos sujar a rua e soar como porco e forjamos sua queda involuntária. Talvez manter a capinha seja preservar a ilusão de que o guarda-chuva é novo.

É a mesma angústia daquele que não se desvencilha do papel-presente porque acha bonito. No fim do ano, vai acumular uma papelaria no armário, faltando aniversário e amigos que atendam ao farto mostruário de estampas. Não tem sentido: quem guarda os papéis de embrulho é avarento e não costuma dar presentes com regularidade.

A capinha é a prova de que somos viciados na inutilidade, o que aumenta consideravelmente minha chance de ser feliz.

Oração à Nossa Senhora dos Que Amam Sozinhos

Xico Sá

Nossa Sra. dos que Amam Sozinho, perdoa-me pela insistência, nem mais é por tanto quere-la, é por deixar claro, nega que sopra das intimidades dessa oração, que só ela me faz passar da conta, perversa, cair no abismo mais lindo do gozo sem volta, como naquele encosto de beira de estrada, como na rodovia estrangeira de Sam Shepard, crônicas de motel, simbora!
Nossa Sra. dos que só pensam nela, cotovelos lanhados de tanta espera, tantos sustos nas ruas, nos bares, “é ela!!!”, Nossa Sra. Dos Cotovelos da Surpresa e das janelas, tão gastos, cinzas, peles, dobras, e tanta fome de viver aqui dentro, megalomaníaco, épico, terá sido a força do desprezo???
Não creio, sr. Albero Moravia.
É mesmo a paudurescência, nostalgia precoce das grandes histórias, o tempo inteiro, pensando, pensando, pensando, mas no fundo gostas!
Os joelhos lanhados pela romaria, devoção e insistência.
Nossa Sra. da Vida Alongada que consegue, nos seus exercícios de Kama Sutra, me levar à coisa mais sagrada.
Nossa Senhora!!!
Amor demorado, anjo exterminador da alcova sem pílulas milagrosas.
Amor por tê-la, rara.
Beijá-la delicadamente, como um cristão que dissolve na boca uma hóstia.
Amar por horas, riachinhos d´águas que não se sabem donde, cada cantinho dum mapa que se inventou só pra se perder depois, sentimento é a verdadeira bússola dum homem, perdido docemente lá embaixo, lá embaixo, daquelas tuas vestes modernas que nunca te escondem.
Lua cheia, vida crescente.
Escuto Lê Déserteus, Boris Vian, ouviste?.
Nossa Senhora dos que sentem muito e amam sozinho, rogai por nós que recorremos a vós!